Certa feita, um professor de psicanálise disse: " recomendo que só leiam Nietzsche depois dos 40". No alto dos meus 20 anos, é claro que aquela "dica" exerceu uma grande vontade de vasculhar tudo o que o revolucionário filósofo havia escrito... (hoje me pergunto: "seria isso que o professor queria provocar??")
De qualquer forma, posso dizer que a leitura de Nietzsche pode sim começar antes dos 40. Talvez o mais desesperador seja que aos 20, temos vida o suficiente para por em prática o que o filósofo diz, porém, não tenhamos coragem!
Todavia, ler não significa assimilar. Frases de efeito, na maioria das vezes, não se traduzem em ações. Conselhos não nos adiantam de nada e por aí vai...
Pois bem, se tivesse que indicar um começo para entrar em contato com Nietzsche indicaria a obra "Assim Falava Zaratustra", um livro "para todos e para ninguém". Uma obra impossível de ser lida apenas 10 vezes. É um daqueles livros que nos tiram o prumo. Que nos fazem pensar a ponto de beirarmos o desespero de existir sem ser como prega o profeta Zaratustra.
O livro nos faz pensar sobre filhos e pais: "em meus filhos quero remediar o fato de ter sido filho de meus pais"; fala sobre mulheres: "e algumas invenções são tão boas que, como o seio da mulher, são úteis e agradáveis ao mesmo tempo"; sobre a loucura: "antes ser louco por seu próprio critério, que sábio segundo a opinião dos outros", e assim por diante.
Uma mente brilhante!
Em épocas de eleições, vale uma citação de Zaratustra: "Vede como trepam, esses ágeis macacos! Para ganhar dos demais, trepam uns sobre os outros e acabam se arrastando juntos para o lamaçal e para o abismo".
Genial!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Sobre amores e chifres
Pois bem, não pude me conter e resolvi escrever sobre aquilo que pode ser considerado o mais temido entre os casais: o CHIFRE!
A associação entre chifre e traição pode ter diferentes explicações, seja pela analogia ao Diabo, "aquele pecador!", seja pela espécie bovina e a fama das vaquinhas de não se apegarem a um único parceiro...
Porém, a explicação mais aceita é de que o chifre tem origem legal. Explico: O Código Filipino, que vigorou a partir de 1603, em Portugal e, consequentemente no Brasil, até sua independência, regia que o marido que pegasse sua esposa cometendo adultério, poderia matá-la, mas caso dispensasse esse direito, deveria usar, em público, um chapéu ornado com dois chifres, para que todos reconhecessem sua condição de chifrudo. A lei só não valia quando a traição era executada com alguém da realeza, daí nada poderia fazer o pobre traído...
E hoje?
Estou quase certa que o que tem havido é uma espécie de "pacto silencioso" entre os casais, do tipo: "ok, todos nós sabemos que não conseguimos nos relacionar com um só parceiro, mas não vamos gritar isso. Deixemos em silêncio e que seja feito escondido o suficiente para que eu não saiba, muito menos os meus amigos!"
O fato é que o temor a traição é tão grande quanto a possibilidade dela acontecer.
A culpada seria a famosa Sociedade de Consumo, na medida em que passamos a consumir prazer sexual tal como consumimos sapatos? não estou bem certa que seja isso...
Traição é uma invenção moralista? Uma coisa que criaram para a proteção da familia?
É algo natural? Tem a ver com amor? Com respeito?
Sobram questionamentos, mas o certo é que todos os traidores que eu conheço, afirmam que tem ou tiveram ou um bom motivo para o fazê-lo!
E não é verdade?
A associação entre chifre e traição pode ter diferentes explicações, seja pela analogia ao Diabo, "aquele pecador!", seja pela espécie bovina e a fama das vaquinhas de não se apegarem a um único parceiro...
Porém, a explicação mais aceita é de que o chifre tem origem legal. Explico: O Código Filipino, que vigorou a partir de 1603, em Portugal e, consequentemente no Brasil, até sua independência, regia que o marido que pegasse sua esposa cometendo adultério, poderia matá-la, mas caso dispensasse esse direito, deveria usar, em público, um chapéu ornado com dois chifres, para que todos reconhecessem sua condição de chifrudo. A lei só não valia quando a traição era executada com alguém da realeza, daí nada poderia fazer o pobre traído...
E hoje?
Estou quase certa que o que tem havido é uma espécie de "pacto silencioso" entre os casais, do tipo: "ok, todos nós sabemos que não conseguimos nos relacionar com um só parceiro, mas não vamos gritar isso. Deixemos em silêncio e que seja feito escondido o suficiente para que eu não saiba, muito menos os meus amigos!"
O fato é que o temor a traição é tão grande quanto a possibilidade dela acontecer.
A culpada seria a famosa Sociedade de Consumo, na medida em que passamos a consumir prazer sexual tal como consumimos sapatos? não estou bem certa que seja isso...
Traição é uma invenção moralista? Uma coisa que criaram para a proteção da familia?
É algo natural? Tem a ver com amor? Com respeito?
Sobram questionamentos, mas o certo é que todos os traidores que eu conheço, afirmam que tem ou tiveram ou um bom motivo para o fazê-lo!
E não é verdade?
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Amor Vagabundo
Ah, se pudesse te guardar meu amor...
Mas não o posso fazer
Meu amor não pertence à mim
Nada posso prometer
Ele vive entre braços e pernas
Entrelaçadas
Numa noite de amor qualquer
Enluarada
Haveria no mundo
Melhor forma de amor?
Esperança todo o dia
Nenhuma gota de dor
Meu amor é passageiro
É vagabundo
Não tem eira nem beira
Vaga pelo mundo
É tão fácil acontecer
Que não tem previsão
Chega numa noite de inverno
Vai embora no verão
Z. Müller
Mas não o posso fazer
Meu amor não pertence à mim
Nada posso prometer
Ele vive entre braços e pernas
Entrelaçadas
Numa noite de amor qualquer
Enluarada
Haveria no mundo
Melhor forma de amor?
Esperança todo o dia
Nenhuma gota de dor
Meu amor é passageiro
É vagabundo
Não tem eira nem beira
Vaga pelo mundo
É tão fácil acontecer
Que não tem previsão
Chega numa noite de inverno
Vai embora no verão
Z. Müller
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Sobre as mulheres

Sim, estou a falar demasiado de "homens-barata"... e o que dizer das mulheres?
Teriam se tornado elas também algo parecido? isso se dá na superfície ou na profundidade? é natural? é instinto?
Muitas perguntas, muitas discussões, mas o que eu reparo é que todo esse papo de liberdade e de "eu transo com quem eu quiser" tem duas faces. Uma delas é realmente a do prazer, de mulheres que realmente descobriram isso e elegem alguns - bons- homens para lhes auxiliar no prazer e satisfação carnal. Porém, um outro grupo busca algo bem diferente do que apenas prazer sexual. Buscam amor, afeto, carinho. E, claro, não encontram nesse frenesi do prazer.
Veja bem o que já estou falando! Já estou dizendo que sexo e carinho estão dissociados... que, pelo menos entre as mulheres solteiras, é preciso escolher entre viver um ou outro.
Muitas dúvidas: há como praticar sexo casual com carinho e afeto? Bom... alguns me alertariam do perigo desse abismo: não se deixe afetar! não diga nada além de palavrões! não divida nada além de orgamos e suor!
Quem está certo? quem está errado? Eu realmente não cheguei a uma conclusão. Já vivi as duas coisas: sexo com amor e sexo "just for fun", mas estou me dando conta da dificuldade da terceira opção (sexo casual com carinho e afeto).
Me perdoem, mas por isso sugiro que não estamos tão evoluidas sexualmente assim, mulheres!
Culpa dos homens? Não sei... Acho que precisamos descobrir o que queremos deles primeiro...
Teriam se tornado elas também algo parecido? isso se dá na superfície ou na profundidade? é natural? é instinto?
Muitas perguntas, muitas discussões, mas o que eu reparo é que todo esse papo de liberdade e de "eu transo com quem eu quiser" tem duas faces. Uma delas é realmente a do prazer, de mulheres que realmente descobriram isso e elegem alguns - bons- homens para lhes auxiliar no prazer e satisfação carnal. Porém, um outro grupo busca algo bem diferente do que apenas prazer sexual. Buscam amor, afeto, carinho. E, claro, não encontram nesse frenesi do prazer.
Veja bem o que já estou falando! Já estou dizendo que sexo e carinho estão dissociados... que, pelo menos entre as mulheres solteiras, é preciso escolher entre viver um ou outro.
Muitas dúvidas: há como praticar sexo casual com carinho e afeto? Bom... alguns me alertariam do perigo desse abismo: não se deixe afetar! não diga nada além de palavrões! não divida nada além de orgamos e suor!
Quem está certo? quem está errado? Eu realmente não cheguei a uma conclusão. Já vivi as duas coisas: sexo com amor e sexo "just for fun", mas estou me dando conta da dificuldade da terceira opção (sexo casual com carinho e afeto).
Me perdoem, mas por isso sugiro que não estamos tão evoluidas sexualmente assim, mulheres!
Culpa dos homens? Não sei... Acho que precisamos descobrir o que queremos deles primeiro...
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Pensando sobre "homens-barata"
Nos últimos tempos tenho questionado algumas coisas e já é tarde demais pra não enxergar aquilo que poucos vêem e muitos preferem não ver...
Claro que isso tudo tem um por quê, e para explicar isso poderia falar das leituras que tenho feito, das decepções com os "homens-barata", das reflexões que alguns amigos me levam a fazer... enfim, vou contar um causo que reflete bem essa minha falta de saco o ojeriza para com algumas situações e pessoas.
Numa certea noite, em um certo lugar, tudo estava indo como costuma ser. Já havia uma boa dose de alcool aquecendo os corpos e mentes e as pessoas começavam o ritual de dança e olhares. Tudo muito igual, como sempre.
Eis que um rapaz com uma beleza que eu saberia aproveitar muito bem em outra época, me convida para dançar. O ritual continua e, depois de trocar meia dúzia de palavras vazias, me fala que tem namorada, mas que mesmo assim ele queria terminar aquela noite comigo.
Eu pensei "não é possível! o cara tá brincando né?!". Recusei o convite e o "homem-barata" parecia não entender o meu não. Então eu disse: "Se não tens nada para dar ao outro além de uma ereção, é melhor nem dar nada."
Foi muito interessante isso ter acontecido logo no momento da minha vida que estou pensando sobre...
Nada contra a liberdade para transar com quem se quer e na hora que quer. Quem me conhece sabe que não há nada de moralismo nesses meus questionamentos. A questão é a falta de respeito com nossos corpos. O problema é fazer sem sentir, e fazer isso sempre. Repetir e repetir, sem que nada te acrescente e te eleve como pessoa.
Homens-barata, estou fora! Aliás, será justo chamá-los de barata? Farei deste animal mais asqueroso do que ele já é? E será que estes homens sobreviverão mesmo com a bomba-atômica?
Lamento.
Claro que isso tudo tem um por quê, e para explicar isso poderia falar das leituras que tenho feito, das decepções com os "homens-barata", das reflexões que alguns amigos me levam a fazer... enfim, vou contar um causo que reflete bem essa minha falta de saco o ojeriza para com algumas situações e pessoas.
Numa certea noite, em um certo lugar, tudo estava indo como costuma ser. Já havia uma boa dose de alcool aquecendo os corpos e mentes e as pessoas começavam o ritual de dança e olhares. Tudo muito igual, como sempre.
Eis que um rapaz com uma beleza que eu saberia aproveitar muito bem em outra época, me convida para dançar. O ritual continua e, depois de trocar meia dúzia de palavras vazias, me fala que tem namorada, mas que mesmo assim ele queria terminar aquela noite comigo.
Eu pensei "não é possível! o cara tá brincando né?!". Recusei o convite e o "homem-barata" parecia não entender o meu não. Então eu disse: "Se não tens nada para dar ao outro além de uma ereção, é melhor nem dar nada."
Foi muito interessante isso ter acontecido logo no momento da minha vida que estou pensando sobre...
Nada contra a liberdade para transar com quem se quer e na hora que quer. Quem me conhece sabe que não há nada de moralismo nesses meus questionamentos. A questão é a falta de respeito com nossos corpos. O problema é fazer sem sentir, e fazer isso sempre. Repetir e repetir, sem que nada te acrescente e te eleve como pessoa.
Homens-barata, estou fora! Aliás, será justo chamá-los de barata? Farei deste animal mais asqueroso do que ele já é? E será que estes homens sobreviverão mesmo com a bomba-atômica?
Lamento.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Rizoma

Meu amar é um rizoma. Costumo amar montando as partes, fragmentos desconexos que me dão a sensação de satisfação diante da minha busca. Formando uma rede de afetos.
Afeto e sou afetada.
Devo admitir que muito me agrada aqueles olhos e o ar de menino. Embora também aprecie a massagem feita nos meus pés. Tão doce é aquele rapaz quando olha pro horizonte procurando o nada. E o que falar daquele cheiro que fica na minha pele e das conversas que temos sobre nossos desencontros com outros corpos? Que alegria sinto ao escutar tuas mentiras sinceras! Acho graça quando apontas minha frieza, a qual alguns costumam chamar de loucura...
Melhor seria nomear isso de potência! Criação e invenção de modo de vida.
Falho em juntar esses elementos, mas usufruo de todos, separadamente. Mastigando pedaço por pedaço. Aprendendo. Evoluindo.
Muito longe da solidão é onde estou. Por isso tenhas certeza que tua parte não fará falta quando tiveres que ir embora.
Afeto e sou afetada.
Devo admitir que muito me agrada aqueles olhos e o ar de menino. Embora também aprecie a massagem feita nos meus pés. Tão doce é aquele rapaz quando olha pro horizonte procurando o nada. E o que falar daquele cheiro que fica na minha pele e das conversas que temos sobre nossos desencontros com outros corpos? Que alegria sinto ao escutar tuas mentiras sinceras! Acho graça quando apontas minha frieza, a qual alguns costumam chamar de loucura...
Melhor seria nomear isso de potência! Criação e invenção de modo de vida.
Falho em juntar esses elementos, mas usufruo de todos, separadamente. Mastigando pedaço por pedaço. Aprendendo. Evoluindo.
Muito longe da solidão é onde estou. Por isso tenhas certeza que tua parte não fará falta quando tiveres que ir embora.
Z. Müller
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
De nossos encontros, fizemos uma incrível diversão. Um verdadeiro jogo. As palavras, ao invés de serem ditas, foram pensadas. Tudo tão planejado e raciocinado que quando esquecemos a estratégia já estávamos a beira de um abismo.
Íamos caindo de mãos dadas. Mas não conseguimos sustentar esse desespero que é sentir-se perto um do outro. Foi o suficiente para termos medo.
Mas logo retornamos ao solo seguro. Éramos dois distantes e só o que se tocavam eram nossos corpos. Cheios de dúvidas e receios.
Escolhas? Renuncias? Pensamos demais, sentimos de menos. Há quem diga ser um sintoma da nossa atual sociedade: medimos, calculamos, traçamos metas e parâmetros. Nos aproximamos para logo após nos afastarmos e nos esquecermos. É assim que vai ser?
Como eu queria que não fosse assim. Mas meu querer é o que me deixa mais distante de ti. Pois não consigo mais olhar nos teus olhos.
Sim, prefiro te dar minha pele e meu desejo do que ceder aos teus olhos, que outrora pareciam tão doces.
Íamos caindo de mãos dadas. Mas não conseguimos sustentar esse desespero que é sentir-se perto um do outro. Foi o suficiente para termos medo.
Mas logo retornamos ao solo seguro. Éramos dois distantes e só o que se tocavam eram nossos corpos. Cheios de dúvidas e receios.
Escolhas? Renuncias? Pensamos demais, sentimos de menos. Há quem diga ser um sintoma da nossa atual sociedade: medimos, calculamos, traçamos metas e parâmetros. Nos aproximamos para logo após nos afastarmos e nos esquecermos. É assim que vai ser?
Como eu queria que não fosse assim. Mas meu querer é o que me deixa mais distante de ti. Pois não consigo mais olhar nos teus olhos.
Sim, prefiro te dar minha pele e meu desejo do que ceder aos teus olhos, que outrora pareciam tão doces.
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